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como calcular o valor da passagem de ônibus

Data: 18/02/2015

Desvendando a caixa-preta do aumento da passagem em Guarujá. Ou como calcular o valor da passagem de ônibus?

O processo do cálculo do valor da passagem de ônibus é simples. Contudo, devemos considerar que, além da fórmula matemática, o cálculo político embutido neste valor é determinante. E ninguém melhor que a população para fiscalizar o valor da tarifa de ônibus. Já que se levarmos em consideração as verdadeiras fórmulas matemáticas, teríamos muito mais do que R$ 0,20 (vinte centavos) para reivindicar.

Indo direto ao ponto: o cálculo do valor da tarifa tem que levar em consideração primeiramente o número de pessoas pagantes que se utilizam de ônibus. Isso porque quanto mais pessoas pagantes usando ônibus, menor será o custo da tarifa. Esse número é fundamental para essa fórmula.

Estima-se que no ano passado 2 milhões de passagens de ônibus foram vendidas em Guarujá, quinhentos mil a menos que no ano 2.000. É fácil descobrir porque as passagens subiram muito além da inflação, difícil é calcular como a quantidade de usuários diminuiu tanto.

Esta diminuição favorece muito o aumento das passagens. E a lacração e  a fiscalização das catracas é o  ponto principal para que não haja manobras em uma empresa de transporte. Outro agravante é o fato de o dinheiro não ser ser carimbado, ou seja, dinheiro vivo, sem nota fiscal. Em qualquer município corrupto, seria bom para as duas partes, para quem quer aumentar a tarifa e para quem quer receber para não fiscalizar.

Mas voltando à fórmula: dois índices são utilizados para se calcular o valor da tarifa e é a partir deles que toma forma todo o valor da passagem: o custo por quilômetro e o IPKe (Índice de Passageiros Equivalentes por Quilômetro).

O custo por quilômetro é definido pela soma do valor dos insumos e gastos utilizados para a realização do transporte na cidade: combustível, lubrificantes, pneus, despesas com salários e outros; do valor dos impostos e do valor de remuneração dos empresários (lucro). Divide-se tal soma pela quantidade de quilômetros percorridos pelos ônibus. O valor obtido é o custo por quilômetro.

A definição do IPKe é a seguinte: o número de “passageiros equivalentes” dividido pelo total de quilômetros percorridos pelo sistema de ônibus. Passageiro equivalente é o número que corresponde ao total de passagens pagas pelos usuários.

Atualmente, a média mensal de passageiros nos ônibus de Guarujá é de 80 mil. No entanto, como existem isentos e beneficiários, os 80 mil caem para algo perto de 66 mil passagens pagas. Divide-se então o total de passagens pagas pelos quilômetros percorridos.

Além disso, não podemos esquecer das instalações dos terminais que geram aluguéis e publicidade. Esta receita extra deveria abater os custos fixos e abaixar a tarifa na cidade. Mas esses dados não estão disponíveis em nenhum portal de transparência, nem valor do custo operacional, nem os valores desses espaços cedidos.

Desta forma, dificultando também a conferência do valor da tarifa. Mas sabendo o IPKe utilizado para o aumento da passagem para R$ 3,20 e desta forma conhecendo o valor da nova passagem, é possível multiplicar o IPKe pelo valor da passagem e chegarmos ao custo fixo da empresa em R$ 5,62 por quilômetro rodado. Isso geraria um aumento de 117,05% sobre a passagem de ônibus no ano 2.000. Se aplicássemos esse mesmo índice para os dias de hoje, o valor correto da passagem seria de R$ 2,60.

Esclareço ainda que estamos utilizando os dados do ano 2000 para a conversão de 2014. Já que o custo operacional da empresa e o lucro com a exploração dos espaços públicos, aluguéis e publicidade não são divulgados e ainda temos a estranha diminuição no número de passageiros nos últimos 14 anos.

 

Como sugestão, acredito que a instalação do sistema WI-FI seria mais conveniente nos pontos de ônibus do que nos veículos. Uma vez que o tempo de espera pela chegada do veículo é muito superior ao tempo da viagem.